Da Eslovénia à Croácia a todo o gás, perdão, sem gás

Indíce do Artigo


Chegámos a Ljubljana já de noite, cansados e com muita vontade de passar a noite num camping. A autocaravana tem uma autonomia média de 4 dias quanto a água e claro que não é preciso ir para um camping para abastecer mas, mais ou menos de três em três dias gostamos de ir até um para lavar melhor a louça, lavar a roupa com mais conforto, tomar banho com mais espaço, carregar as baterias, o pequeno Magnífico poder correr mais à vontade e poder triturar a sopa com mais facilidade. Essas coisas mundanas… A Vandonga, tal como a maioria das autocaravanas, não está adaptada de origem para trabalhar com 220volt o que nos condiciona um pouco em termos energéticos. Nota mental: será preciso em breve investir mais um pouco para a tornar autosuficiente a esse nível…

O Ljubljana Camping Resort foi aquele que nos apareceu no GPS como o camping mais próximo do centro da cidade e, com este nome tão pomposo, achámos que seria uma boa opção. Não achámos nada. Já andamos a virar tofu há muito tempo e na maior parte das vezes, quando um sítio tem um nome promissor é para desconfiar. A baía das tartarugas não tem tartarugas, o Queen Hotel em Londres é uma chafarica e por aí fora. Tal como antevíamos, aquilo não era bem um campingmas mais um trailer park trash. Tinha cerca de vinte caravanas mas não se via vivalma e para podermos tomar banho de água quente teríamos de ir ao centro desportivo ao lado, segundo a recepcionista. Um sítio fantástico, portanto.

Mas giro, giro foi a primeira botija de gás que acabou a meio dessa noite e nos deixou apenas com uma até ao fim da viagem. Ainda não sabíamos na altura, mas não encontraríamos durante toda a viagem (e o que nós procurámos) botijas compatíveis com o redutor suíço e teríamos de dosear a botija remanescente apenas para aquecimento de emergência e para cozinhar. Em pleno Inverno, foi muito, muito difícil gerir este racionamento.Também só descobrimos quando voltámos a passar na Eslovénia, no regresso, que muitas das estações de combustível têm estacionamento para caravanas com acesso a eletricidade grátis. Fica a dica…

No dia seguinte pudémos finalmente conhecer Ljubljana. É uma cidade pequenina e que se vê muito bem em poucas horas e a pé, (até porque no centro da cidade só se pode andar mesmo a pé ou de bicicleta) com exceção da subida ao castelo que é melhor fazer de funicular. Depois é perder-se  pelas igrejas do centro da cidade, a Dragon Bridge, o museu da cidade e a galeria e a biblioteca nacional.

Ljubljana

Além do lago Bled existia uma outra coisa que queriamos muito conhecer na Eslovénia. O Castelo de Predjama, a 55Km de Ljubljana, na pequena aldeia de 85 habitantes com o mesmo nome.  Um castelo encaixado numa rocha de 123 mt de altura e com muito mais ar de castelo do Drácula do que o verdadeiro, o Castelo de Bran na Roménia. Não ficámos desiludidos. É realmente muito, muito fotogénico, cheio de túneis, uma ponte levediça, sala de tortura, sala de banquetes e esconderijos secretos.


Não fomos visistar as famosas grutas de Postojna e Skocjan, ali ao lado, porque eu não sou muito fã desse género de visitas e fomos antes jantar a Itália. Parece estranho mas Itália, concretamente a cidade portuária de Trieste, ficava a apenas 50km de Predjama e achámos que era um bom sítio para ir jantar. Itália é sempre um bom sítio para jantar, não há que enganar.

Nessa noite ainda seguimos para a Croácia e dormimos num estacionamento grátis na lindíssima Rovinj nas coordenadas N45º 05´20´´ E13º 38´43´´. A cidade, toda em tons pastel, parece um cupcake com a basílica de Santa Eufémia a marcar o centro. Foi uma agradável surpresa e bem mais bonita que Pula e o seu anfiteatro romano, a senhora que se seguiu.

Anfiteatro romano de Pula


Para variar um pouco o ambiente urbano, decidimos ir até ao parque nacional rt Kamanjak com os seus 30Km de costa selvagem.  Vale mesmo uma visita. No nosso caso foi curta pois por ser Inverno nadar não era uma possibilidade. Mas valeu a pena pelas vistas com muitas semelhanças à costa Vicentina portuguesa.

Passámos a noite muito perto do Parque nacional Jezera: N44º 45´ 58´´ E15º 41´29´´. Deixo as coordenadas só para serem usadas em caso de desespero porque era um sítio mesmo muito mau para dormir. Estavam por lá muitos camiões estacionados e foi uma noite praticamente sem dormir com os camiões a arrancarem constantemente a meio da noite. Tentámos outro sítio antes mas fomos expulsos por um senhor que se deu ao trabalho de sair de casa à noite para nos dizer que era proibido ali ficar. A Croácia foi o sítio mais anticaravanista que encontrámos em viagem. Existe um loby muito forte dos parques de campismo e o free camping exige algum engenho. Coisa que, como bons portugueses, não nos falta felizmente J


Passámos a manhã do dia 18 de Dezembro a visitar o jóia da coroa croata e património natural da Unesco, o fantástico parque nacional de Plitvice com os seus 16 lagos e cascatas sem fim. Existem dois parques de estacionamento pago, um a norte e outro a sul do parque  (cerca de 10€/dia mas no nosso caso tivemos a sorte do parque estar aberto mas o guichet de pagamento fechado, provavelmente por ser época baixa e não compensar terem lá alguém a cobrar). Por ser Inverno, os visitantes eram muito poucos o que fez com que os percursos se fizessem sem filas e desse para tirar fotos das paisagem sem gente à vista. Foi muito, muito bom. E se tivesse de recomendar apenas uma coisa na Croácia seria Plitvice. Seguimos depois para Split, onde dormímos no Split Camping por 20€ com vistas para o mar incluídas, com uma breve paragem em Zadar para ver o sun saludation e o sea organ, do arquiteto Nikola Basic.

Por esta altura estarão voçês a pensar, mas, mas voçês têm uma autocaravana ou uma máquina de teletransporte?! Bem, esta parte da viagem correu muito bem. Foi provavelmente a “secção” mais tranquila. Ainda estávamos com o pico de energia típico dos inícios de viagem e o como o pequeno Magno, aquando a viagem, ainda fazia duas sestas por dia possibilitou que as deslocações fossem feitas de maneira a coincidir com os tempos de sono. Não foi assim toda a viagem, claro. Houve momentos de que falarei adiante em que foi preciso andar de caravana fora do horário das sestas, mas não nos podemos queixar. Ele até gosta de andar de carro e foi um super herói nesta road trip…

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